A spirulina já foi baptizada com o apelido de superalimento em inúmeras ocasiões e praticamente toda a gente com uma conta de Instagram já terá visto a febre deste alimento com supostos superpoderes, onde influenciadores preocupados com a saúde se fartaram de fazer receitas giras com uma cor verde marcante (quase como o chá matcha) com esta microalga. Aqui chegados, questionamos toda a bondade que é apregoada aos quatro ventos e perguntamo-nos: será verdade que a spirulina te ajuda a melhorar a saúde ou nem tudo o que reluz é ouro?
Esta microalga verde-azul possui excelentes propriedades nutricionais e é um alimento “antigo”. E todos nós sabemos que tudo o que é antigo vende e torna-se uma atração. Por isso, vamos ao que interessa e vê o que é verdade sobre os superpoderes deste produto.
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O que é a spirulina?

A Spirulina(Arthrospira platensis) é uma cianobactéria, um tipo de microrganismo que faz fotossíntese e produz oxigénio. Encontra-a na água doce de lagos, rios e mares, sobretudo nas regiões tropicais e subtropicais. O seu nome vem do grego “espira”, que significa “espiral”, devido à sua forma alongada.
Deves a sua cor verde ao seu teor de clorofila e a sua cor azul à ficocianina. De facto, esta cor poderosa faz com que seja utilizada como corante alimentar natural na produção de gelados, sobremesas, alimentos congelados, doces e pastilhas elásticas, entre outros produtos.
É normalmente comercializada em pó ou em cápsulas, isoladamente ou misturada com outros alimentos ou bebidas. E é tomado como suplemento.
Quais são as propriedades nutricionais que fazem dele um “superalimento”?
A spirulina afirma ser altamente nutritiva e rica em vitaminas, minerais e antioxidantes. Os seus defensores afirmam também que é uma fonte de proteínas de alta qualidade e uma boa fonte de ferro. Não é nada disso.
As vitaminas incluem A, B-12 e E, e os minerais incluem cálcio, zinco, fósforo e iodo, tal como muitas algas marinhas.
Primeiro problema: teor de iodo
Este problema é comum a praticamente todas as algas marinhas, uma vez que o seu elevado teor de iodo pode estimular demasiado a glândula tiroide e causar problemas, especialmente em pessoas que sofrem de hipo ou hipertiroidismo.
Segunda pergunta: é realmente uma fonte de proteínas?
Está bem, é uma fonte de proteína de qualidade, mas sejamos realistas, a quantidade diária recomendada deste suplemento é entre 3 e 5 gramas. Quanta proteína há nesses 5 gramas de spirulina? Uma quantidade minúscula.
Terceiro ponto: o que achas do teor de vitamina B-12?
Aqui, os vegans e os vegetarianos podem ver os céus abertos porque têmum suplemento natural desta vitamina que está presente apenas em alimentos de origem animal e é muito importante para a saúde. O problema é que não é realmente rico em vitamina B-12.
A suposta vitamina B-12 presente nas algas é uma molécula que se parece muito com a vitamina B-12, mas não é realmente vitamina B-12. Mas também dificulta a absorção da verdadeira B-12 e pode falsificar análises ao sangue, fazendo com que as pessoas acreditem que têm os níveis corretos quando, na realidade, há uma deficiência. Por outras palavras, é mais o inimigo da vitamina do que qualquer outra coisa.
E as outras propriedades benéficas?

Tem sido atribuído ao consumo destas microalgas o poder de reduzir o risco de doenças crónicas transmiss íveis e não transmissíveis, incluindo doenças cardiovasculares (DCV). Foi efectuado um grande número de estudos e revisões desses estudos.
Muitos deles foram realizados in vitro (ou seja, não em seres humanos) e outros tiveram um número muito pequeno de participantes, pelo que é bastante difícil tirar conclusões definitivas sobre os seus méritos.
Numa revisão sistemática de diferentes estudos de investigação, concluíram que “nenhum estudo foi devidamente randomizado e/ou controlado, nem são propostos os mecanismos biológicos que suportam estes efeitos. O nível de evidência encontrado e a ausência de desenhos experimentais adequados não nos permitem verificar o valor da Spirulina como alimento funcional na prevenção da dislipidemia e da EOX e, por esta via, na redução das DCV; no entanto, não encontrámos manuscritos que refiram efeitos nocivos da sua ingestão”. Por outras palavras, segundo os investigadores, não tem efeitos benéficos nem prejudiciais.
O uso de spirulina é contraindicado em qualquer caso?
Sim, esta é a outra face da moeda, não tem efeitos nocivos para algumas pessoas, mas para outras pode ter efeitos nocivos.
Se tomado na quantidade recomendada, não deve causar quaisquer problemas em princípio, embora tenha havido relatos de pessoas com desconforto intestinal, obstipação, dores de cabeça e até erupções cutâneas.
Outro aspeto a ter em conta é que pode interagir com alguns medicamentos, pelo que as pessoas em tratamento contínuo devem consultar um médico ou farmacêutico antes de tomar um suplemento de spirulina.
Recomenda-se também evitar o consumo em caso de fenilcetonúria, uma doença genética que afecta a capacidade de processar certos aminoácidos, em caso de hipertoridismo, pelo que mencionámos sobre o iodo e a tiroide, e hiperuricemia.
A espirulina também não é recomendada para mulheres grávidas ou a amamentar.
A que conclusões chegamos depois de ler isto? Bem, não gastes o teu dinheiro em suplementos que são praticamente inúteis, porque nas quantidades recomendadas não te fornecerão praticamente nenhum nutriente e, em alguns casos específicos, podem ter contra-indicações para a tua saúde.











